#6: Os meus favoritos na minha mesa de maquilhagem

Tendo sido o meu pai que me criou desde os meus três anos, não tive uma figura materna que me inspirasse. Alguém que eu pudesse olhar enquanto punha maquilhagem, quando puxava o fecho do vestido para cima ou até quando escovasse o cabelo.

Todas as memórias que todas vós têm como meninas a crescer e a tornarem-se mulheres, eu falho ter.

Por causa desse pequeno pormenor, o fato de não ter tido uma mãe em casa e ter que lidar primariamente com o meu pai, a minha personalidade formou-se tal qual a de um homem. Até aos 16 anos vesti-me como os rapazes, tendo sido muitas confundida com um rapazinho até aos meus 12 anos.

Sempre tive as minhas inseguranças por ser uma rapariga, e custou-me muito crescer sabendo que o meu pai tinha preferido um rapaz para lhe ajudar nas contas em casa. Muitas vezes penso, que futuro teria tido esse rapaz? Teria ele acabado a carregar baldes de massa ou a fazer trabalhos menores? Quem teria sido ele?

Mesmo tendo sido uma maria rapaz, com uma personalidade do demônio enquanto adolescente, tive namorados. Uma vez, dois ao mesmo tempo. Desculpem, mas vocês eram demasiado giros. E nem percebo muito bem porquê. Que seria que lhes interessava em mim, sendo eu bastante “average”, sem maquilhagem e sempre com uma linguagem muito forte?

Ao longo dos anos, custou-me muito “crescer”. Custou-me descobrir quem eu realmente era.

Uma coisa é certa, eu não gosto de piropos. Enoja-me quando homens sentem-se demasiado confortáveis para dizerem o que eles pensam realmente na altura. Atenção, não sou nenhuma beldade. Eu meço 160 cm, sou “magra” (hei-de voltar pessoal) de constituição, e completamente normal. No entanto, quando me “embonecava” recebia olhares e comentários, e deixava-me tão irritada que fazia-me optar por looks mais simples, a roupa menos desvendante e a personalidade sempre em defesa e de punho feito.

Hoje em dia, sei quem sou. Só levou 35 anos.

Sei quem eu sou, e como sou. Sei que não sigo modas nem pessoas. Sei que sou do tipo que começa coisas, e trabalha nelas afincadamente. Que gosta de experimentar coisas novas e aperfeiçoar técnicas. Sei que se me esforçar muito em alguma coisa, tenho resultados. Nada cai do céu quando “sonhamos”, mas sim quando agimos.

Se eu não tivesse nascido, e se o rapaz que teria nascido em meu lugar pensasse como e quem seria eu, eu gostava que ele soubesse que eu “estaria bem”. Apesar de tudo.

O meu escape hoje em dia tem sido aperfeiçoar algo que há muito tempo quis fazer mas não sabia como. Maquilhagem é uma das coisas que sempre me deu curiosidade enquanto adolescente e nos meus vinte, mas não fazia ideia o que fazer quando pegava num pincel.

Estes dias têm sido para desvendar a arte de usar o pincel e o nível de força que se aplica na pálpebra para que fique um bom resultado. Hoje sem medos filmei-me a colocar maquilhagem seguindo as instruções da Helena Coelho e percebi ao fim de umas horas aquilo que levei anos a perceber. A maquilhagem requer arte de mão, mas também requer muita paciência e muito vagar.

Aqui, partilho convosco alguns dos meus favoritos na minha mesa de maquilhagem, e os que uso mais. Desde á base da Urban Decay, o balm da Kjær Weiss e o iluminador da Fenty. Estes têm sido os meus confidentes nestes dias que se têm passado.

E vocês quais são os vossos favoritos no momento? Alguma coisa que me possam recomendar?

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