Corona Diaries: Dia #25

Dia 25 de quarentena e esta manhã o cérebro teima em não querer arrancar. Já estou no terceiro copo de café e na 79054 story no Facebook, expressando a minha saúde mental. De momento, neste exato momento, não está fácil.

Esta noite tive um sonho. Sonhei que brincava na praia, na areia com o meu menino junto ao quebrar das ondas, e a sentir o sol quente na cara. Sonhei também que passeávamos, onde acabámos numa gruta (toda super moderna) com um aquapark dentro com spa e tudo.

Quando de lá sai, juntamente com montes de gente á minha volta lembrei-me de repente que não tinha posto desinfetante nas mãos. Mas disse para mim “que sa foda!! Isto é um sonho!”

Como é que é possível? Como é possível que o meu cérebro já esteja programado para reagir a este novo modo de vida? Como é que isto se tornou o novo normal? No entanto, foi um sonho muita bom!

Depois de 25 dias, arrependo-me agora não ter aproveitado mais. Não ter corrido mais, passeado mais, visto mais pessoas, amigas ou não. Simplesmente ter vivido um pouco mais. Mas não vale a pena estar a chorar em leite derramado. É seguir para a frente e não pensarmos no que poderíamos ou não ter feito.

Apesar de querer “seguir em frente” sei que não estou sozinha. Os grupos de chat pararam com as piadas, amigas pararam de enviar noticias, e começam cada vez mais a surgir vídeos de pessoal a “expressar” como realmente é estar de quarentena, depois de tantos dias. Uns super engraçados, como o da Bumba na Fofinha, que me fez rir como se eu fosse maluquinha (já esteve mais longe) e de outros youtubers igualmente “histéricos” (mega engraçados).

Isto de estarmos fechados em casa tem muito que se lhe diga.

Eu em janeiro já estava farta.

Queria-me ir embora, queria ferias, queria o meu Portugal e queria me ir embora. Já disse que me queria ir embora?

Depois de ter visto bilhetes de avião e hotel para irmos ver o carnaval em Quarteira e de ter falado com o marido, a merda da China vem (finalmente, vá lá) com a notícia de um vírus que pensavam ser similar á influenza, mas muito mais contagioso e fatal nas pessoas mais debilitadas. Ficámos com a pulga atrás da orelha.

Fiquei na “minha”, mas sempre com os olhos na media e nas noticias ao ver o domino ser todo derrubado, peça por peça, e ao ver a Itália começar a ser terrivelmente afetada e a ver o idiota do Trump a dizer que não aceitava pessoas da Europa entrarem nos EUA. Como se de leprosos nos tratássemos.

Como se os Americanos não viajassem á China e como se já não tivessem levado o vírus para “casa”. Só há pouco é que decretaram estado de emergência no país e agora choram. Nem vou falar do Bolsonaro que mandou o Rio de Janeiro sair da quarentena. Eu às vezes sinto que estou num planeta de gente maluca.

Pronto vá, chega.

Toca a pôr o sorriso na boca de novo e fazer reset no cérebro e fazer o que me faz melhor. Abraçar o meu menino 500 000 vezes por dia, saltar e cantar, andar de triciclo, uivar com os cães, simplesmente fazer coisas para desanuviar a mente e não pensar no pior.

Cozinhar, fazer bolos, comer gomas, beber o copinho de vinho branco aos fins de semana, fazer compras aos berros com o marido enquanto o menino me trepa as pernas, ver as horas e pensar que está tao tarde e que devia era começar a acordar uma hora mais cedo.

Tentar fazer dieta, mas acabar por comer batatas fritas com arroz todas as noites, pensar que vou treinar, mas depois penso que tenho de tomar banho a seguir e não me apetece lavar o cabelo, não vá eu querer ir á rua andar de escorrega com o menino.

Ou evitar facetimes pois não me apetece trocar de pijama, ou por maquilhagem. Não ter trabalho para fazer pois o sítio está fechado e encomendas não posso enviar porque não estou em Copenhaga.

Por isso, que o desafio que eu “inventei” vai ser um bom meio para me empurrar um bocadinho do buraco. Por isso é que hoje vou até Copenhaga e vou buscar tudo o que preciso. E vou desanuviar um pouco a mente, por a música alta, agarrar num latte no MacDonalds e conduzir uma hora até casa.

A ver se me distraio e faco algo que me dê mais animo, porque preciso disso urgentemente, não vá eu ficar completamente louca. Como disse a minha irmã e muito bem: “E vamos lá para mais uma semana” (Eu pensei estamos em que dia mesmo??) 😊 ou fica tudo curado ou fica tudo doido”.

Os dois mana, os dois.

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