Limpezas com Marie Kondo são o demo

Eu não sei como vocês são, mas eu tenho a mania de guardar tudo.

Deviam vocês ver as minhas gavetas pois existem lá coisas que nem eu me lembro de quando as comprei. Por alguma razão desconhecida, guardo, porque penso que hei-de precisar um dia.

Já algumas vezes que purguei o meu guarda-roupa e o resultado que adquiro destas purgações é mais ou menos isto: Foda-se que continuo sem nada para vestir.

Sim, eu continuo a achar que não tenho mesmo nada. Ou então a roupa que eu tenho (sim estou a falar dos 15 pares de calças rasgadas no joelho, que há 5 anos atrás estavam super na moda, mas que agora, sinto-me uma vergonha – coisa que a minha sogra quase sempre me chamou entredentes cada vez que me via com uma delas), está mesmo “passada de moda”.

Porque que é que não tenho roupa?

Porque faço estas “limpezas” e porque ando a fazer boicote á Zara e não tenho feito compras lá  – além de razões estritamente relacionadas com direitos humanos e o ambiente, não me perguntem mais nada, porque não sei responder –

Sinto que toda a gente anda na moda e eu, coitadinha ando sempre com as mesmas calças rasgadas e uma sweater (que por acaso até é a minha favorita da Zoe Karssen) cheia de borboto.

Ou pelo menos sinto que ando sempre com o mesmo.

Eu culpo o facto de ter sido mãe. Desde que fui mãe que a minha vida deu uma volta de 180 graus. Literalmente em todos os aspetos.

Como é óbvio, dinheiro vai mais para o menino, isto em roupa, mobília e brinquedos (e já descobri que mais vale ir às lojas e deixá-lo brincar com os brinquedos, porque cada vez que compro alguma coisa que eu veja que ele goste, chegamos a casa e ele brinca com aquilo durante 3 minutos) mas para mim não vai nada, nada, nada!

Quer dizer, mentira, eu fiz um haul gigantesco no verão de ’18, uns (quase) 6 meses depois do Mikkel nascer.

Como fui de cachalote (que já não conseguia andar nem subir escadas nos últimos 3 meses de gravidez (sim eu adorei a minha gravidez – Gajas! Depois dos 30, vocês preparem-se) a um cachalote mais pequeno.

Eu fui às compras e fiz a ronda á Inditex toda. O lucro da Inditex naquele mês triplicou, garanto-vos.

Zara, Bershka (que vim eu a descobrir que não fazem roupa para gente adulta), Stradivarius (que empesta para caraças, que me acordava sempre o menino quando lá entrava) e a sonsinha da Oysho.

Eu armada em esperta, comprei tudo em tamanho S – pensando que o XS seria muita sardinha para o meu prato.

Não experimentei nada com medo que o menino acordasse e quando cheguei a casa – passadas umas três horas depois que até já me doía as cruzes – fui toda contente experimentar a montanha de roupa que tinha comprado.

Peça após peça, foi a desilusão total. E não era porque eu era esquisita, não, era porque os vestidos “larguchos” que eu tinha escolhido com tanto amor e ternura não havia modos de me caber.

Ora, no dia a seguir fui umas outras 3 horas para o shopping, mesmo me doendo as cruzes da maratona do dia anterior.

Fui trocar a roupa toda e na caixa quando queria devolver, o rapaz perguntou se eu não tinha gostado de nada e porque que é que queria devolver.

A primeira coisa que eu pensei foi logo, que é que ele tem a ver com isso, mas o que me saiu da boca foi: “Estou muito gorda e nada me serviu”. Ups.

Obviamente que desatei-me a rir logo a seguir, para amenizar o ambiente constrangedor. Ele não sabia onde se havia de meter.

Se estava gorda ou não, eu tinha atirado cá para fora um pequeno ser humano e por mais que eu quisesse pôr me aos saltos com as mamas cheias de leite, para ficar toda boa, muito sinceramente não me apetecia sofrer com as dores.

Assim, que não me fazia confusão dizer coisas desse género com toda a naturalidade do mundo.

Troquei tudo por um M e fui ter com o mesmo rapaz para pagar. Ele deu-me um sorriso e eu disse, agora espero que me sirva, porque para o tamanho L, não vou.

Isto para dizer que tenho no meu guarda-roupa, roupa que não me serve, porque, pois é, está muito grande. Mais valia ter andado num saco de batatas (ou seja, em roupa de maternidade) porque naquele verão, aquele haul, foi um autêntico desperdício de dinheiro.

Entre roupa que não me serve, roupa do século 20 e roupa já russa, senti que precisava de me ver livre de muita coisa.

Assim, fiz eu a “limpeza de primavera” do meu guarda roupa, que não foi em Primavera nenhuma, mas o sentimento era o mesmo.

Eu queria arrumar menos roupa depois de a lavar. Ponto. Está aí a verdadeira razão.  

Inspirada no método da Kon Mari, da japonesa Marie Kondo, eu vi-me livre de muita coisa.

Sim, porque, porque que é que ia guardar saias (cintos) de quando pesava 45 quilos ou vestidos que podia ter sido confundida com um a”pretty woman” de Leste em Puerto Banus?

Ora, O método da Kon Mari (a limpeza do demo) é para nos organizarmos ou seja, revirar a casa de cima para baixo e “mandar tudo pela janela” – coisas que já nao lembrem o menino Jesus.

E o que é que já nao lembra o menino Jesus?

São os 300 pares de sapatos (ALTO) que não usamos, a roupa ainda com etiquetas nos cabides, a maquilhagem e produtos de beleza passados do prazo e que cheiram a ranço.

Basicamente era assim a minha casa.

O método Kon Mari ocorre da seguinte forma:

1. Comprometimento

Se te sentires pronta para esta grande mudança na tua vida, então é meio caminho andado para uma casa xpto.

2. Visualiza a tua vida pós-organizada

Ou seja, tu com um cafézinho na mão e de pés em cima da mesa, toda relaxada, enquanto vês em camera lenta o teu miúdo a despejar uma caixa inteira de lego – mesmo daqueles pequeninos – no chão).

3. Vê-te livre primeiro de coisas que não uses

4. Pensa segundo categorias, e não espaços

Em vez de ires espaço por espaço, como quarto primeiro, casa de banho depois, arruma as coisas segundo items.

5. Segue a checklist ponto por ponto. Nada de atalhos

6. Encontra prazer outra vez nas coisas que possuis

Como se fosse a primeira vez, ou seja quando as compraste. Nós sabemos bem o sentimento de euforia que temos quando compramos algo novo, é ou não é? Especialmente quando não podemos.

A checklist da Kon Mari

1. Roupa

2. Livros

3. Papelada

4. Items em geral

5. Items com valor sentimental

Como a limpeza do demo se desempenha:

Em relação a roupas, retira tudo o que tenhas dentro do guarda-fato e põe tudo em cima da cama.

Depois analisa cada peça – individualmente- e decide se tem ou não valor na tua vida.

Se decidires ver-te livre do item, agradece ao item (ya okay) e atira-o numa caixa. Faz o mesmo com os livros e papelada.

As coisas em geral são coisas que estão na cozinha, arrecadação, garagem, casa de banho etc. Basicamente coisas que não pertencem aos 3 primeiros tipos de coisas.

Organizar a roupa, livros e papelada leva bastante mais tempo e assim que chegues ás “coisas em geral” já vais estar pro. Assim que não te vai custar tanto.

Quando chegares às coisas com valor sentimental, tenta ver se consegues achar propósito para esses items.

Por exemplo, o primeiro desenho do teu filho, consegues por esse desenho numa moldura e pendurares?

Ou até fotos antigas tuas e da tua família, podes também pendurar ou podes fazer um scrapbook e mostrares á família toda quando vierem de visita, assim só para os envergonhar.

Mas prontos, se decidires fazer esta grande limpeza, força, vais precisar. Não é fácil, mas é necessário, pelo menos para o nosso bem psicológico.

O importante no fim desta aventura toda é uma coisa só e algo que tem um enorme destaque no meu blog. É tornarmo-nos mais felizes e com uma vida mais serena. Ponto.

Amores, partilhem este post e muito obrigada por lerem!

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